sábado, 21 de julho de 2007

"O olhar que copia o olhar"

(O olhar que imita o olhar - Paula Vieira)


"O olhar que copia o olhar" - um desenho, em tinta nanquim, feito por mim, tendo como base inspiratória em um outro desenho de um olho, o qual encontrei em um livro sobre propaganda e cores.
"Não é preciso estar em todos os lugares para se saber o que se passa onde se quer saber o que se passa".
(Paula Vieira
)
"[...] é sempre bom recordar que não se deve tomar o outro como idiota [...]."
(Certeau, 1994:273*)
*CERTEAU, M. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1994.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Ao Redor

Este é um dos inúmeros desenhos meus, que ainda irei publicar aqui. O nome é Ao Redor e simboliza uma fase, um tanto quanto confusa, uma fase de mudança na minha vida.

(Ao Redor por Paula Vieira)

domingo, 8 de julho de 2007

Vai um papel-higiênico aí?

Vai um papel-higiênico ai?

>>Certo dia, conversando com um amigo, peguei-me pensando nas convenções simbólicas criadas pelos homens. Ele afirmava que alguém que usa um terno não poderia ser visto como um ser que pensa no coletivo. Eu que, na ocasião, encontrava-me de terno e, sendo uma pessoa adepta de idéias um tanto quanto utópicas, questionei-o acerca do porquê de tal afirmação. Ele, simplesmente, respondeu-me com tom de obviedade: porque isso seria uma hipocrisia. Foi então, que comecei a retomar, em minha mente, pensamentos sobre as convenções humanas a respeito das imagens e o que elas representam.
>>O que torna uma pessoa hipócrita? Ter uma atitude que não condiga com aquilo que ela “prega” ao outros como certo. Essa, sem dúvida, seria a resposta dada por mim. Mas, o que há, então, de, obviamente, hipócrita em usar ou não uma roupa? Bom, partindo do princípio de que todos somos livres para vestirmos o que bem entendermos, desde que as ditas roupas não tragam mensagens que possam ofender a alguém, creio que não há nada de hipócrita em fazer ou não uso de determinada vestimenta. Considero, ainda, algo ilógico ligar o conceito de hipocrisia ao uso de um pedaço de pano, uma vez que, independentemente da roupa que vistamos ou, até mesmo, do fato de estarmos vestidos ou nus, os nossos pensamentos continuarão “encrostados” em nossas mentes. Ou, será que alguém tem seus pensamentos tomados de si, levados embora quando se despe para, por exemplo, tomar um banho? Acredito que não, pois do contrário mudaríamos de idéias a cada estação do ano, tendo em vista que os casacos e mantas do inverno, raramente, são usados no verão. Hipocrisia minha, ou de qualquer um seria “gritar aos quatro ventos” que não é correto vestir-se com um terno, ou qualquer outra roupa, e estar vestindo um. Não haveria, assim, uma ligação coerente entre a fala e a atitude, o que se consagraria como um ato de hipocrisia propriamente dito.
>>Mas então, o que, de fato, levaria as pessoas, como foi o caso do meu amigo, a dar como obvia tal inverdade? Diria que é exatamente ai que entra a questão das convenções simbólicas. Como Thomas Luckmann e Peter Berger já haviam colocado muito bem no livro “Fundamentos do Conhecimento da Vida Cotidiana”, o ser humano tende a rotular tudo o que vê pela frente, afim de poupar esforços , ou seja, generalizando os fatos, ele não corre o risco de ter der refletir e achar um sentido para toda a novidade o que vê. E, assim, surgem os conceitos, por pura preguiça de raciocinar.
>>Entretanto, tentar compreender a simbologia que há por trás de uma veste não mostra-se algo que possa ser, facilmente, feito, muito embora tentamos fazer isso diariamente. Uma peça de roupa é um fato social, que, muitas vezes, serviu como referência para a identificação de períodos históricos e identidades culturais, como, por exemplo, respectivamente, a idade média e os monges. Contudo, não nos deixemos levar pela nossa preguiça, que tende a nos induzir ao uso indiscriminado e obsoleto dos rótulos. Nem todo o conceito é aplicável a tudo e a todos. E tentar aplicá-los a tudo o que se vê é fazer um julgamento equivocado, preconceituoso.
>>Sendo assim, ainda que seja inerente ao ser humano criar convenções simbólicas para “facilitar” a compreensão do mundo e de si próprio, não podemos esquecer que, como já diz o nome, essas são convenções e como tal são mutáveis – o feio de hoje pode ser o bonito de amanhã. Rótulos são muito bons para serem usados em embalagens de papeis-higiênicos, não em seres humanos. Portanto, deixemos os rótulos por conta das indústrias e de seus produtos. Eu, você, todos somos livres para vestirmos o que quisermos, dentre, é claro, aquilo que está ao nosso acesso; e construir, dessa maneira, a nossa própria simbologia.

(Paula Vieira)

RADIONOVELA

RADIONOVELA


Segue, a baixo, o link para a radionovela que Eu (Paula Vieira), Paulo Finatto Jr, Évelin Argenta, Renata Spanhol, Bruna Salvatóri, Tiago Cord e Vinícius Fontana desenvolvemos para uma cadeira (Lingüística) da FABICO - Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS:

http://www.goear.com/listen.php?v=c217f05

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Quanta criatividade posta em bobagem(...).

Quanta criatividade posta em bobagem(...).

Era uma vez um sábio chinês que pensava que era uma borboleta. Ele andou, andou em busca da sabedoria total até que, um dia, chegou em um lugar nunca antes imaginado onde havia muitas outras borboletas. Então, ele descobriu que era diferente.

O sábio usava roupas incomuns, por isso achava que era uma borboleta, mas percebeu que ele não poderia ser igual a elas. Então, ele começou a buscar um lugar no qual, talvez, pudesse descobrir o que ele realmente era. Um dia, deparou-se com um pequeno chalé. No chalé,morava uma velhinha baixinha, que vendia pó de pirlimpimpim. O sábio banhou-se do pó e conseguiu, enfim, voar tão alto quanto as borboletas. Assim, ele viveu feliz para sempre!

Porém a velha-do-chalé saiu, um dia desses, para comprar pães e nunca mais voltou, pois ela tinha Alzheimer. Dizem por ai que o lobo-mau a comeu – entendam como quiserem! Todavia, isso não passa de um boato. Na verdade, ela fugiu para o caribe com um garotão de 18 anos. Mas, a velha-do-chalé era uma bruxa. Logo, ela criou uma poção mágica, que, todas as noites, transformava-a em uma linda e jovem garota. Contudo, quando o efeito da poção acabava, ela voltava a ser a mesma velha feia. Foi que, então, uma dia ela acabou se transformando em travesti em plena Parada Gay. Foi ai que ela conheceu o Alexandre Broxa que cedeu 3ml de seus anabolizantes para ela colocar no RABO-de-saia.De repente, eles encontraram o vampiro Chupátz, que chupou o anabolizante do RABO-de-saia da velhinha e, com isso, hipertrofiou seus dentes, tornando-se, dessa forma, o vampiro com os maiores dentes do Mundo.

O vampiro com os maiores dentes do mundo, tinha uma fome maior que a dos vampiros comuns. Em uma tentativa desesperada de alimentar-se, acabou chupando o sangue de uma vaca. Porém,a vaca estava infectada com a doença da vaca-louca. E, então, dois dias depois, o Chupátz foi preso por assaltar um banco de sangue.

Moral da estória: Graças a Deus, as vacas não voam!

(Comunicação em Língua Portuguesa I; Prof ª Priscila Simões; Turma B; Bixos 2007/1 FABICO/UFRGS)

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Auto de Comu

Auto de Comu
Teoria da Bala Mágica
Uma formiga, que estava caminhando por uma floresta petrificada, avistou uma criatura. O tal ser estava arrancando e engolindo pedaços de um homem que ainda agonizava, e, ao mesmo tempo, curiosamente, ele defecava uma massa e, com seus pés bem articulados, fazia um monte de cabeças .

Formiga - Criatura, quem você é e o que está fazendo?
Criatura - Sou Comu, a mais amada das criaturas. Estou a fazer o que é meu dever: renovar a mente e o corpo dos homens. E tu, vejo que és uma formiga pequena e solitária, o que queres aqui?
Formiga - Busco por um lugar onde eu possa ser notada.
Criatura - Reconhecimento! Então, buscas por reconhecimento?
Formiga - Sim!
Criatura - E que tipo de reconhecimento seria esse?
Formiga - O reconhecimento individual! Cansei de ser mais uma, que simplesmente segue o sistema. Busco o reconhecimento dos meus ideais, qual mais seria?
Criatura - Sabes, sou muito velha, logo experiente. Por esse mundo ando rápida e valentemente, dessa forma conheço muitos outros seres. Sendo assim, afirmo que há muitas formas de reconhecimento, as quais os seres buscam.
Formiga - É mesmo?
Criatura - Sim, podes acreditar. Há aqueles que querem ser reconhecidos por sua beleza. Há os que querem ser reconhecidos por suas posses. Há os que querem ser reconhecidos por seus talentos. E muitos outros mais.
Formiga - E pelas idéias?
Criatura - Há, sem dúvida, há. Porém, afirmo a ti, buscar esse tipo de reconhecimento tornar-se-á cansativo e inútil.
Formiga - E porque ?
Criatura - Simples. Porque nessa floresta, assim como nesse vasto mundo não há quem não acabe por se render à “Massa”.
Formiga - Explique-se, por favor.
Criatura - Como vistes anteriormente, devoro homens e faço deles uma Massa de Cabeças. Porém, antes que questione o porquê do meu serviço, deixa-me explicar a ti como isso acontece. Paulatinamente, vou argumentando e, com isso, tentando convencer os homens a se juntarem a Massa. Então, espero pelo momento no qual o homem que está farto de lutar por sua sobrevivência renda-se por completo. Mas não penses que são poucos os que se rendem. A maioria se deixa devorar sem o menor questionamento.
Formiga - Mas qual é o porquê?
Criatura - Não percebes que o que faço é pelo bem dessas pessoas? Sozinhas elas são frágeis e desiguais, mas unidas a Massa são a Massa. Elas não necessitam mais perder tempo pensando e elaborando soluções para os seus problemas. Sou eu quem se ocupa com isso. Eu as conforto, informo-as, divirto-as, protejo-as das críticas, deixo-as mais bonitas e aceitáveis. Olha e diz o que pensas.


E a Criatura começou a falar com a Massa de Cabeças:

Criatura - Vocês são idiotas!
Massa - Otas... Otas... Otas...
Criaturas - Vocês são descrentes!
Massa - Entes... Entes... Entes...
Criatura - Digam o que vocês pensam da política?
Massa – Ítica... Ítica... Ítica...
Criatura – E sobre a fome?
Massa – Ome... Ome... Ome...

A Criatura, com o peito estufado, voltou-se, novamente, à Formiga e a indagou:

Criatura - Acreditas, ainda, que vale a pena buscar ser notada como um indivíduo pensante?
Formiga - Sim!
Criatura - Não vês que de nada adianta? Olha para a Massa! Não percebes que ela é volumosa, sólida, despreocupada, tranqüila? Não percas tempo. Sê tu minha aliada. Posso dar-te entretenimento, conforto, beleza. Posso acabar com o tormento que os questionamentos causam a ti. Aceita a minha sabedoria e a minha orientação para que eu possa simplificar a tua vida, acabar com a tua solidão. Não sejas mais uma formiga solitária e indefesa.
Formiga - Não seja tola. Você me mostra uma Massa ignorante e submissa a sua vontade, e ainda assim espera que eu me una a ela?
Criatura - Pense nas vantagens de não ter mais que perder tempo raciocinando. Eu posso facilitar as coisas para ti.
Formiga - De maneira alguma. Prefiro a solidão à submissão. Sem mencionar que um dia há de surgir alguém que acorde a Massa.

Furiosa e exausta por tentar e não conseguir convencer a Formiga, Comu resolveu não perder mais tempo e pisou-a.


(Paula Vieira)